sábado, 18 de julho de 2009

SONETO 9

É por medo de causares pranto a uma viúva
Que despendes a vida como solteiro?
Ah, se morreres sem deixar um herdeiro,
O mundo te lamentará como uma esposa estéril;
Deixarás enviuvar o mundo, que ainda lamentará
Não teres legado a ninguém a tua semelhança,
Como cada viúva mantém, em memória,
Nos olhos dos filhos, as feições do marido.
Vê que desperdício há no mundo
Mudando senão de lugar, e ainda lhe aproveita;
Mas o desperdício da beleza aqui termina,
E sem uso, seu beneficiário a destrói.
Esse peito não tem amor pela humanidade
E a si mesmo lança em vergonha mortal.

SONETO 10

Envergonha-te de negar que não ames,
Tu que és tão imprudente;
Aceita, se quiseres, ser amada por tantos,
Mas é certo que não ames ninguém;
Pois tens um ódio tão mortal,
Que apenas contra ti mesma não conspiras,
Buscando arruinar este nobre teto,
Que tanto desejas consertar:
Ah, muda teu pensamento que mudarei o meu!
Deve o ódio ter mais reservas do que o amor?
Sê como tua presença, gentil e graciosa;
Ou a ti, ao menos, te proves amável,
Sê outra pelo amor que tens por mim,
Para que a beleza continue a viver em ti.

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