sábado, 18 de julho de 2009

SONETO 17

Quem crerá em meu verso no futuro,
Se for tomado por teu completo abandono?
E Deus sabe que tua vida se transformou em tumba,
Sem deixar entrever sequer a metade de teu ser.
Se eu pudesse descrever a beleza de teus olhos,
E enumerar infinitamente todos os teus dons,
O futuro diria, este poeta mente,
Tanta graça divina jamais existiu em um ser.
Podem os papéis amarelados em que escrevo
Serem desprezados como velhos falastrões,
E tuas verdades poriam fim à ira deste poeta,
E prolongariam o som de uma antiga canção:
Mas, se um filho teu vivesse, então,
Viverias duas vezes – nele e em meu canto.

SONETO 18

Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.

5 comentários:

  1. Gostaria de parabenizá-la pela tradução do Soneto XVIII. Comparei-a com a de Arnaldo Poesia e pude constatar que sua versão ficou muito mais próxima do original.

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    1. Isso é um elogio que me deixa feliz, porque foi essa a minha intenção em traduzir os sonetos, deixá-los mais próximo do que o Bardo escreveu, e não inventar o que ele não disse por causa de uma rima. Muito obrigada.

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  2. excelente tradução , poema 18, um grande poema. Eu tiraria o puder da linha 11, mas viverá meu canto, e ele te fará viver é perfeito.

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  3. parabéns pelas traduções! excelente.

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